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  • Jennily Herrera Clajus

A hipótese da relação entre a COVID-19 e a neuropatia pudenda

O nervo pudendo é responsável pela inervação dos genitais externos feminino e masculino, bem como os esfíncteres da bexiga urinária e do esfíncter externo do ânus. A lesão deste importante nervo do assoalho pélvico, pode levar à vários sintomas urogenitais, principalmente a incontinência.





Um levantamento realizado por Mao e colaboradores em Wuhan em 2019, mostrou que o envolvimento do sistema nervoso pode ocorrer em até 36.4% dos pacientes com COVID-19¹. Dentre os problemas neurológicos descritos, houveram casos de doenças cerebrovasculares, encefalite, encefalopatias e alterações do olfato e do paladar². Em relação ao acometimento dos nervos periféricos e músculos, foram descritos casos de Síndrome de Guillain-Barré, neuropatias craniais isoladas, síndrome de Miller-Fischer, miosite e rabdomiolise1,2,3,4  .

O SARS-CoV-2 pode lesionar direta ou indiretamente os neurônios ao invadir o sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico. A “tempestade de citocinas” pró-inflamatória causada pelo SARS-CoV-2 pode causar neuroinflamação, que em alguns casos, leva a desmielinização do neurônio5.  Os distúrbios desmielinizantes têm uma ampla gama de apresentações, incluindo alterações visuais, dificuldades na fala, perda do equilíbrio, parestesias em mãos e pés, fraqueza, perda da audição, etc. 6,7

Uma das propostas atuais relacionadas ao acometimento do assoalho pélvico, seria o eventual detrimento do nervo pudendo. Até onde sabemos, inflamação e desmielinização no nervo pudendo pode levar à incontinência vesical e fecal8,9.  A neuropatia pudenda foi relatada em algumas infecções virais, como HIV e herpes zoster, e esclerose múltipla. Os esfíncteres uretral e anal são inervados pelo nervo pudendo, podendo ser lesionado pela COVID-19, levando à incontinência urinária e fecal.

Estas prováveis complicações neurológicas da COVID-19 devem ser consideradas importantes, por afetarem diretamente a qualidade de vida dos pacientes.



Fisioterapeuta: Jennily Herrera Clajus - CREFITO 334596



Referências

1- Mao L, Jin H, Wang M, Hu Y, Chen S, He Q et al (2019) Neurologic manifestations of hospitalized patients with coronavirus disease 2019 in Wuhan, China. JAMA Neurology

 

2- Munhoz R, Pedroso J, Nascimento F, Almeida S, Barsottini O, Cardoso F et al (2020) Neurological complications in patients with SARSCoV-2 infection: a systematic review. Arq de Neuro-Psiquiatria

 

3- Paliwal VK, Garg RK, Gupta A, Tejan N (2020) Neuromuscular presentations in patients with COVID-19. Neurol Sci: Offic J Ital Neurol Soc Ital Soc Clin Neurophysiol 41(11):3039–3056

 

4- Katyal N, Narula N, Acharya S, Govindarajan R (2020) Neuromuscular complications with SARS-COV-2 infection: a review. Front Neurol 11:1052

 

5- Wang F, Kream RM, Stefano GB. Long?Term Respiratory and Neurological Sequelae of COVID?19. Med Sci Monit Int Med J Exp Clin Res. 2020;26:e928996?1?e928996?10.

 

6- Ellul MA, Benjamin L, Singh B, et al. Neurological associations of COVID?19. Lancet Neurol. 2020;19(9):767?783.

 

7- Preziosi G, Gordon?Dixon A, Emmanuel A. Neurogenic bowel dysfunction in patients with multiple sclerosis: prevalence, impact, and management strategies. Degener Neurol Neuromuscul Dis. 2018;8:79?90.

 

8- Mirza AB, Akhbari M, Lavrador JP, Maratos EC. Atypical cauda equina syndrome with lower limb clonus: a literature review and case report. World Neurosurg. 2020;134:507?509.

 


9- Zhu L, Hai N, Lang J?H, Yu S?Y, Li B, Wong F. Value of the pudendal nerves terminal motor latency measurements in the diagnosis of occult stress urinary incontinence. Chin Med J. 2011;124(23): 4046?4049.

 

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